O Rosto Na Água Poesias

AO REI CONSAGRO O QUE COMPUS…`A NOITE PEDÍ UM FRUTO, PELA MANHÃ ENCONTREI SEMENTES EM MINHA PORTA; DESEJEI ESCREVER SOBRE OS MALES DA VIDA, DEUS ENVIOU-MOS PARA QUE OS ENTREVISTASSE… Leo Santos

15.7.11

Porquês

Porque estamos nessa,

aquela vale bem mais?

Porque a morte arremessa,

e ninguém sabe onde cai?

Porque a Palavra impressa,

se é moda negar o Pai?

Porque a boca não confessa,

o que gritam as digitais?

Porque ao homem interessa,

parecer com os animais?

Porque o trabalho estressa,

 e o ócio faz marginais?

Porque a ganância não cessa,

mesmo já tendo demais?

Porque ética saiu da festa,

e nenhum correu atrás?

Porque o tribunal processa,

abonando vermes iternacionais?

Porque estultice começa,

assaltar intelectuais?

Porque a esquerda atravessa,

o samba das causas sociais?

Porque tem imposto à beça,

e fraquejam hospitais?

Porque indecência ingressa,

em bases educacionais?

Porque Evangelho às avessas,

construindo catedrais?

Porque o mundo te pressa,

se nem sabe pra onde vai???

criado por orostonagua    10:22:19 — Arquivado em: Sem categoria

14.7.11

Estágios de amar

Nas vias do amor latente,

lutamos sem ter escudo,

seletivos na embalagem,

confiantes no conteúdo.

 

Sentimento asfixia a verdade,

depois,  o fundo da caverna,

amamos na tempestade,

na calmaria, o barco aderna.

 

Iludimos a sina pobre,

escalando montes belos,

o amor tem um quê de nobre,

ao menos, constrói castelos.

 

Mas, ao baixar a bruma,

restam pesados passos,

e uma estranha lacuna,

vazio que não deixa espaço.

 

Cronos, delega experiência,

mas chega com certo atraso;

na aurora da sapiência,

vigor ruma ao ocaso…

criado por orostonagua    22:08:24 — Arquivado em: Sem categoria

Vilipêndio de Sophia

Sophia é musa bela,

sem parãmetro algum,

andeja alheia à nobreja,

à alegria ou tristeza,

até entre o povo comum.

Qualquer pano veste bem,

elegância tá na veia,

até a salva singela,

é enobrecida por ela,

e no fundo, nem é feia.

Sangra às vezes sim,

ante insensato toque,

ao vermos disparar canhão,

aqueles cuja aptidão,

ainda é pra bodoque.

Claro que a mãe coruja,

tem “noções” de formosura,

vilipêndio à Santa luz,

por apelidarem de cruz,

as suas sendas escuras.

Diante desses algozes,

o dano não é pequeno,

profanam o Sacerdote,

escrevendo “mel” no pote,

que Ele escrevera, “veneno.”

O desprezo da instrução,

é sopro que vence a chama,

o cão de volta ao vômito,

vivo o cavalo indômito,

a porca lavada, voltando à lama…

criado por orostonagua    18:22:41 — Arquivado em: Sem categoria

13.7.11

Tosco ou refinado, amor em quatro níveis

O estágio mais baixo, Vênus,

um achego de matéria,

coito, transa, cópula apenas,

só uma doença venérea.

 

Ao leigo foge a fineza,

quebra galhos, não poda;

esse saciar à natureza,

pra ele, simples, é foda.

 

O segundo lance é Eros,

instigando abrandar o rosto;

um frissom muda o ambiente,

adentrou o sexo oposto.

 

O matuto também miora,

 se acaso entra muié;

suas penas logo arvora,

qual um galo garnizé.

 

Phileo o terceiro degrau,

afeto, grande amizade;

entre os de mesmo sexo,

a perfeita identidade.

 

Na roça o negócio pega,

não raro, se lê errado,

homem gostar de homem,

deve sê coisa de viado.

 

Ágape o supra-sumo,

a face do amor cristão;

a busca do bem alheio,

espécie em extinção.

 

Os simples entendem isto,

Ele, cambiou a história;

se fazem ovelhas de Cristo,

e vivem pra Sua grória.

criado por orostonagua    14:14:45 — Arquivado em: Sem categoria

12.7.11

Esperanjo

O vento soprou na orelha,

que Eldorado era aqui,

nem tava buscando ouro

os que ouviram o agouro,

pensam que enriquecí.

Na verdade troquei o tapete,

deixando uma tapera,

guindado por sonho alheio,

não foi o meu que veio,

porque rico, eu já era

Mas aumentei o meu dote,

outros pulsos me abanam,

outros afetos se me dão,

adentram meu coração,

ao meu andejar irmanam.

Mas faltam anões no jardim,

flores avessas ao clima,

há peitos em que desafetos,

desfeitos porão completos,

qual sílaba tônica e rima.

Por ora um frio que dói,

e todo seu desarranjo

a alma dúbia engana,

e ainda rola na cama,

a espera de um anjo…

criado por orostonagua    23:15:20 — Arquivado em: Sem categoria

11.7.11

Fale agora ou…

Tenham paciência comigo

como se estivesse morto;

não retenham elogios consigo,

então, não trarão conforto.

 

Podem criticar também

lancem a verdade em rosto;

Véritas não fere ninguém,

fere o cinismo imposto.

 

Quisera poder ouvir,

murmúrios do meu velório;

Que daria pra usufruir,

o vento do palavrório!

 

Indulgência imerecida,

poderia me comover,

trazendo de volta à vida,

valeria à pena viver.

 

Somos uns falidos, é certo

à virtude, sequer abono;

cansados desse deserto,

olhamos a cama com sono.

 

Poetas são uns fugitivos

vendo mistérios do universo;

revoltados  quando cativos,

forjam mundos em versos.

 

Declare agora seu amor,

seu ódio, seu desagrado;

não lance meleca no ventilador

com o ventilador desligado.

criado por orostonagua    14:37:42 — Arquivado em: Sem categoria

10.7.11

Relicário perdido

Quisera ver face a face,

o poeta fedelho que fui,

que gáudio se o encontrasse,

ante o tempo o prédio rui.

Meus rabiscos, meu umbigo,

ligado à primeira dor,

ah se os tivesse comigo!

Que prato ao bom humor.

Ia rir dos descompassos,

das burrices emocionais,

as fraldas, primevos passos,

os tímidos madrigais.

Riquezas de desarranjo,

pobreza de conteúdo,

pretendendo ser um anjo,

apenas um orelhudo.

Nada além do sensível,

sem jeito pra espírito e alma,

presumido Camões, incrível

num sarau colhendo palmas.

Lamento perder as fotos,

queria só ver o terno,

tantos rabiscos ignotos,

porque rasguei o caderno.

Se vejo um menino na praia,

encho o balão, seu brinquedo,

que em desalento não caia,

e rasgue retratos de medo…

criado por orostonagua    23:04:44 — Arquivado em: Sem categoria

Paixão

Escura como a idade média,

clara como o luar,

sina de não ter as rédeas,

e precisar cavalgar.

Promete o que não dá,

recebe o que não merece,

o que contagiado está,

se sábio, idiota parece.

Ao ridículo faz concessões,

a fumaça turva os olhos,

reis se fazem bufões,

adultos viram pimpolhos.

Insaciável galo na rinha,

qual matuto protestando,

queria ver a calcinha,

e ela não tava usando.

Reclama até do afeto,

se lhe escapa um capricho,

que vale o alfabeto,

o instinto “educa” o bicho…

criado por orostonagua    20:18:15 — Arquivado em: Sem categoria

9.7.11

Somos todos poetas

Somos todos poetas,

a vida é poesia;

deixe a janela aberta,

e verás que o verso se cria.

Só não forcemos a clava,

mediocridade nos toma,

vamos apanhar das palavras,

como o bêbado da azeitona.

É a musa que dá a paga,

mostra a senda que encanta;

que importa se a Lady é Gaga,

vale é que a lady canta.

Daí que até na desdita,

as flores dão seu perfume.

se serve em salva bonita,

no vale, frutos do cume.

Somos todos poetas,

mas nem sempre é hora;

ás vezes, chutando se acerta,

e outras, é bola fora.

criado por orostonagua    22:14:16 — Arquivado em: Sem categoria

8.7.11

Preconceito Global

Preciso perder o jeito,

se é que, de fato, o tenho,

parecer jerico perfeito,

girando a roda do engenho.

Uns peritos co’as cartas,

domam o baralho da rima,

outros tem sorte no dado,

o seis, sempre cai pra cima.

Quero ser perna-de-pau,

melhor, cabeça-de-bagre,

escrever só texto mau,

pra que a burrice consagre.

É que temo a leitura,

de meu rumo sexual,

vai que na Web me procura,

o insuspeito padrão global.

Combatem o preconceito,

de um jeito sensacional,

hetero é um tosco sujeito,

e bicha é intelectual.

Urge que eu pareça burro,

voces viram que tentei,

se escrevo um “Dom Casmurro”

e todos pensem que sou gay…

criado por orostonagua    22:19:54 — Arquivado em: Sem categoria

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